Infidelidade: é o fim do casamento?

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te. (Friedrich Nietzsche)

Para iniciar este assunto delicado e tão doloroso para quem o vive ou viveu é necessário definir o que é infidelidade:

É o descumprimento de um compromisso de fidelidade, a desconsideração de acordos, regras e limites mutuamente combinados em um relacionamento.

O mais comum é relacionar a fidelidade à sexualidade, ao pacto de manter relações amorosas somente com um único parceiro.

A anulação do pacto de fidelidade, gerada pelo ato de trair, é uma das forças mais fragmentadoras de um casamento, depois da morte de pessoas queridas, a traição aparece em terceiro lugar nos estudos sobre as grandes dores. Mesmo assim, apesar deste caráter demolidor nem sempre ela leva à separação.

A crise emocional que se estabelece a partir da descoberta da infidelidade pode sacudir o casal e retirá-lo de um estado de apatia, onde várias questões estão encobertas e ignoradas na relação.

Sabemos que vários fatores interferem na vida do casal, o importante é que haja espaço para rever os pontos sensíveis, partilhar dúvidas e elaborar as decepções que vão aparecendo ao longo da vida a dois, se não há cuidado e investimento na relação pode acontecer que um dos parceiros procure como solução um caso extraconjugal.

Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisa o tema há mais de  20 anos e é autora dos livros A OUTRA e INFIEL (ambos da Editora Record), ela diz: “A ala masculina considera que a infidelidade faz parte de sua natureza poligâmica. Os homens podem amar a esposa e desejar outras mulheres sem grande conflito. Já as mulheres, tradicionalmente educadas para associar sexo e amor, consideram que traição só é possível quando não se ama mais o parceiro, e sim outra pessoa”.

O traidor, para não ser descoberto, precisa se apoiar em segredos e mentiras, o que complica, e muito, a situação conjugal neste caso.

Quando ocorre a infidelidade muitos sentimentos e expectativas são feitos em pedaços, a dor é imensa, a raiva, a culpa, o medo da perda, tudo vem como um turbilhão, arrastando o amor e a confiança para longe.

A reconstrução do casamento depende da capacidade para falar honestamente sobre os sentimentos associados à relação extraconjugal. Só depois disso é possível negociar exigências, fazer planos e voltar a confiar.

Voltar a acreditar no outro e no casamento só poderá acontecer se o perdão entrar nesse cenário, ele é a condição fundamental para a recuperação da relação e, essencialmente, da confiança pessoal e conjugal.

Perdoar não é a negação dos sentimentos de mágoa, ira e rancor. Perdoar é analisar, lembrar do que aconteceu, não para punir ou massacrar o outro, mas para servir de marcador para um novo momento.

Perdoar não é desculpar o erro da pessoa, quem desculpa tira a culpa, no caso da traição a culpa é real. Perdoar não é esquecer a ofensa recebida.

Perdoar é deixar para trás, no seu devido lugar no tempo, o fato que o magoou.

A depressão, a tristeza, o sofrimento cultivado, muitas vezes, estão relacionados à quantidade de lixo emocional que carregamos na nossa bagagem.

A busca de ajuda de um especialista no assunto pode ser bastante importante para o casal que vive o processo da  infidelidade.

 

 

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