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Crise Sexual no Casamento ?

Crise Sexual no Casamento ?

O relacionamento amoroso, especialmente no casamento,  ou em outro tipo de convivência diária ou frequente, sofre com as pressões do cotidiano.  Em muitos momentos o nível de desejo de um dos membros do casal, ou mesmo dos dois, pode sofrer uma queda, sem que isso signifique o fim da relação ou falta de amor/ interesse.

A sexualidade é uma das áreas mais sensíveis no casamento. Dificuldades profissionais, financeiras, estudantis, familiares, de saúde e tantos outros desafios do dia-a- dia, podem bloquear o desejo Sexual.

O sexo requer um grau de envolvimento que muitas pessoas não conseguem quando sob pressão.

Uma das formas do casal enfrentar estes momentos, é poder conversar sobre o que está acontecendo e estabelecer algumas outras vias de prazer para os dois. Buscando atividades que possam fazer juntos e tragam satisfação. Retirar a carga de tensão da sexualidade, pode facilitar a recuperação do desejo. A cobrança e a expectativa geram uma tensão que não funciona, ao contrário,  servem como complicadores.

O prazer do encontro sexual necessita de leveza e fantasia, então é sempre recomendado que o casal possa exercitar estes aspectos sem a preocupação de um grande desempenho. A sexualidade do casal se realiza em um conjunto de situações,  desde assistir um filme na TV comendo pipoca até fazer uma massagem nas costas do(a) parceiro (a). O contato através do carinho é extremamente motivador, porém,  não é condição obrigatória para o ato Sexual.

Um alerta importante é levar em consideração  o tempo de distanciamento e ausência de desejo que o casal vive. Uma crise com baixa da atividade Sexual é natural e ocasionalmente pode acontecer. Entretanto,  um período prolongado de desinteresse é uma luz vermelha que se acende. Há algo na relação que precisa ser visto e/ ou revisto.

Márcia Modesto
Psicóloga Psicanalista
Terapeuta de Casais e Famílias
Grupos de Reflexão com temas de Comportamento  e Relacionamento Interpessoal
Palestranteblog marcia

Sobre o caos

Muito se fala do caos ético e moral que estamos vivendo, muitas críticas e opiniões. Hoje li uma dessas opiniões com um raciocínio muito ” raso” sobre os acontecimentos recentes no Estado do Espírito Santo. O escritor, teólogo e psicólogo,  diz: “a conclusão é a seguinte: se precisamos de polícia para sermos honestos, somos uma sociedade de bandidos soltos!”

Talvez o escritor tenha esquecido que nossa conduta ética e nossa moralidade nascem da “Lei ” aprendida com nosso pai, o formador do Superego. E é bom assinalar que Pai aqui significa toda figura que tenha nos oferecido os limites necessários para nos locomovermos no mundo – o NÃO é estruturante da nossa personalidade.

Imagino que agora você deve estar se perguntando onde quero chegar com isso?

Respondo que quero simplesmente lembrar que todas estas atitudes violentas e primitivas são um reflexo do ” grande desamparo” que sentimos neste momento de crise e caos.  Reagimos como bichos acuados, num movimento de auto preservação. Voltamos à barbárie do homem das cavernas, que lutava para sobreviver.

Foi com o estabelecimento da Civilização que o homem domou seus instintos para viver em sociedade. Nesta caminhada precisava de um líder, o Grande Pai da tribo e do grupo. Sentindo- se amparado e guiado por este líder o homem se desenvolveu.

Entretanto, no momento atual, aqueles que deveriam nos proteger, orientar, cuidar, são exatamente os mesmos que são acusados de crimes de corrupção e tantos outros. O sentimento reinante é de espanto e desamparo. Com quem podemos contar? Em quem acreditar?  Quem pode nos mostrar o caminho, nos oferecendo segurança e confiança? Quem será nosso ” exemplo” de ética, caráter e força? Quem será ” nosso pai”?

Como povo somos ainda muito frágeis nas questões de moral e bons costumes. Quando os condutores do barco perdem o rumo, ficamos à deriva, perdemos a noção de direção. Com certeza precisamos retomar o rumo e adquirir maturidade para enfrentar o caos e os limites impostos pela dura realidade atual.

Seria muito simples afirmar que nossa honestidade é dada pela Polícia,  é  muito mais complexo e preocupante.

Que possamos fortalecer,  dentro e fora de nós,  a Lei do Pai.

As mulheres e suas expectativas amorosas

“Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.” (Friedrich Nietzsche)

Nós mulheres nos expandimos, nos desenvolvemos em praticamente todas as áreas, desbravamos muitos caminhos, abrimos espaço na sociedade, passamos a ocupar novas funções e cargos, fizemos uma grande revolução nas nossas vidas. Porém, apesar destas conquistas o desejo do casamento, dos filhos, da família, não se modificou, ainda sonhamos com o “príncipe” e com a felicidade para sempre. Desde pequena ouvimos através das histórias que um príncipe vai chegar. Vai despertar-nos com um beijo ou vai nos calçar um sapatinho de cristal. E assim viveremos em um castelo e seremos felizes para sempre. E se ele é um príncipe podemos esperar tudo dele. Ele vai atender todas as nossas expectativas e demandas de amor, atenção, cuidados, carinho e afeto.

Só que estas necessidades começaram lá trás, mas acreditamos que ele vai dar conta de todas elas, que será capaz de resolver tudo nas nossas vidas. Porém ele não tem todos os recursos disponíveis para atender tantas expectativas, afinal, também tem as dele (é apenas outro ser humano), mas quando o escolhemos não percebemos isto, acreditamos que é muito forte, é quase um super-homem. E porque nos frustramos o transformamos em um sapo, e como tal ele perde as qualidades, se torna safado, insensível, sacana, o que só nos iludiu, nos enganou. Será mesmo? Ou fomos nós que nos iludimos e nos enganamos, projetando nele, como num espelho, tudo o que precisávamos?

Vejo este drama diariamente em meu consultório, tantas mulheres bonitas, bem sucedidas e infelizes porque só se sentem inteiras com o olhar e o amor do outro. Tanto sofrimento por causa desta velha crença de que eles podem tudo, não sofrem por nada e que têm tudo à sua disposição. Quanto engano! Como eles sofrem, choram, se fragilizam e se deprimem diante das perdas, das separações e diante de tantos outros motivos.

Aqui cabe um alerta: é preciso estar mais consciente de como você se lança nas águas do amor. Para usufruir ou para se afogar? Como seduz os homens? Você sabe? Já se apropriou de seus recursos? Os conhece bem? Sabe manejá-los? É imprescindível que você se conheça para que possa encontrar um ponto de satisfação nas relações, não mais como a princesa, mas como a mulher que tem competência para cuidar de si, de seu trabalho, de seu prazer, compartilhando, interagindo, trocando, não mais como um ser deficiente, sem um ponto de apoio próprio. Encontrar um bom parceiro e companheiro de percurso é completamente possível desde que possamos olhar e aceitar a limitação do outro.

Gosto de ser mulher

Já ouvi muitas mulheres dizerem, de maneira brincalhona: “na próxima encarnação quero nascer homem”.

E eu sempre me pergunto qual o demérito em ser mulher.

Sabemos, e não vou aqui repetir, da árdua luta feminina, ao longo da história, pelos direitos iguais e conquistas sociais.

E considero que somos vitoriosas. Já conquistamos muitos caminhos. Claro, eu sei, temos muita estrada pela frente.

Somos mesmo guerreiras, temos uma força e coragem naturais, mas ainda muito desconhecida para muitas. Não como a força dos homens, preparados para embates físicos.  Temos uma força sutil, capaz de domesticar um Leão de tal maneira à ponto de deixá-lo dócil e abrir sua boca tranquilamente, como retratado no Arquétipo de A Força, no baralho do Tarot.

Se usássemos mais esta sutileza mental e afetiva com certeza desbravaríamos muitos horizontes.

Considero equivocada aquela mulher que quer ” ser como o homem”. Ora, somos diferentes, com características diferentes, complementares. Para que a disputa?

Nossa luta é por nós, não contra eles.

Temos uma data, 08 de março, para comemorarmos nossas conquistas e lembrarmos quem somos.

Que tal usar sua força sutil?

Terapia de Casal, para que?

Quando duas pessoas se amam sonham estar juntas a vida toda e, têm a certeza absoluta, de que serão felizes para sempre. Porém, os desafios do dia-a-dia, as contas a pagar, as diferenças pessoais, e muitas outras situações, transformam o sonho inicial em pesadelo. Não raro essas duas vidas que se juntam têm visões de mundo opostas, crenças e histórias familiares diferentes. E junto com o amor que sentem têm o desafio de aprender a conviver com toda a bagagem trazida pelo seu par e construir uma nova história baseada nos valores, crenças e histórias do novo casal. Logo após o casamento é necessário um período de adaptação. E para que isso ocorra, os dois precisam se dedicar com muita vontade e tolerância.  Nesta ocasião serão estabelecidas as bases que darão o suporte necessário ao equilíbrio do casal na interação principalmente com as famílias de origem, o grupo de amigos e de trabalho.

O casamento é uma relação muito delicada e alguns pontos são extremamente sensíveis a crise, tais como: as interferências das famílias de origem, divergências na maneira de educar os filhos, manutenção do prazer sexual, administração financeira, estabelecimento de projetos a dois, cultivar momentos de lazer, administrar as diferenças pessoais, manter os amigos, além da necessidade de se fazer uma boa reavaliação após uma traição. Um aspecto ou outro, e às vezes vários, atinge o casamento e coloca o casal em sofrimento.

Muitos casais não conseguem conversar sobre suas dificuldades e um abismo enorme se estabelece entre eles. Só o amor não tem o poder de resolver os impasses que surgem pela caminhada conjugal. Neste momento a busca pela Terapia de Casal pode ser fundamental para o redirecionamento da relação.

Alguns casais têm um receio enorme de iniciar um processo terapêutico por acreditar que a terapia pode levar a separação conjugal. O que é uma visão absolutamente equivocada. A Terapia de Casal ajudará na reconstrução da comunicação entre os parceiros e na limpeza do “lixo conjugal” acumulado ao longo da relação. Este processo terapêutico é importante e válido para todos os tipos de casamentos, tanto os heterossexuais quanto os homoafetivos. Sendo igualmente importante nos recasamentos, quando um, ou os dois cônjuges, vêm de casamentos anteriores e, muitas vezes, com filhos.

Em todos os casamentos as questões e conflitos assemelham-se. Também o tempo de duração do casamento não modifica muito os conflitos, só os torna crônicos.  Casados há muito tempo costumam deixar “congelado” o problema por vários anos, por medo de sofrer com um possível divórcio e a desestruturação da família.

A crise conjugal está entre os principais estressores na vida de uma pessoa, o que nos leva a concluir que a procura por terapia de casal, visa uma melhor qualidade de vida, principalmente nos momentos de crise. A terapia de casal vem se apresentando como um importante instrumento capaz de auxiliar no tratamento de quadros de depressão e, às vezes, pode ser mais eficaz que a própria medicação.